Reblogged from ovidama
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pelos cantos derrama o poeta decadente
se não pranto, decassílabos e aguardente
vaga cinza, vomita rimas
tropeça, insano, e balbucia
as duas, insone, monologa
e, as seis, monossilábico, vago, interroga:
“sol?”
e maldiz
correndo os olhos pelo fio de luz
que invade o quarto, pela fresta da janela
sempre tão pontual
- lúdico, homicida, brutal -
e que enterra o poeta vivo,
e encerra o poeta lúcido
sem sangue, sem dó e sempre
as seis
e pouco da manhã.
todos os dias nasce
e morre
e nasce
e morre
mas nunca de todo
porque não pode
porque eterno
desgraçado
e
poeta.
not good not bad just constantly changing